Foto do local do acidente... atenção ao círculo amarelo!
Às 11:37h do dia de 3 de julho o RCC AZ (SALVAERO AMAZÔNICO) recebeu a informação, pelo APP-SN (órgão de controle de tráfego aéreo de Santarém) que a aeronave PA-34 PP-EJB havia decolado de Tiriós-PA, passado por Cuxaré e estava desaparecida... desde o dia 1º (= 48 horas!!!).
Apesar dos esforços para confirmar as informações com os demais órgãos de controle e empresa, não havia uma rota definida pela aeronave. Isso é possível? Infelizmente, sim. É comum em áreas mais afastadas que algumas regras sejam “esquecidas” e decolagens aconteçam para determinado destino mas com pontos intermediários. Conseqüências? Muitas! A pior delas, no caso de um acidente, é que não conseguimos determinar o que chamamos de “Área de Probabilidade Genérica” (APG), ou seja, que não conseguimos definir para onde enviar as aeronaves para realizar a Missão de Busca.
O atraso nas informações não impediu o acionamento dos meios disponíveis e o translado deles para próximo da suposta “Última Posição Conhecida” (LKP), que acabou sendo determinada pela re-visualização do radar de cobertura daquela área. Já no dia 4, o avião C-105 do 2º/10º GAv realizava voos de Busca, prejudicados pela meteorologia ao longo de todo o dia.
Os destinos do PP-EJB considerados eram a comunidade de Bona, Santarém e Óbidos e simplesmente ninguém conseguia confirmar a intenção do piloto... enquanto o relógio corria rápido e a meteorologia continuava a atrapalhar as buscas.
Com o auxílio de um especialista em radares, na noite do dia 6 conseguiu-se perceber que, milissegundos antes do desaparecimento da aeronave das telas, a mesma havia feito uma forte curva e perdido altitude.
Neste momento, apesar da afirmação da empresa de que a aeronave prosseguia para Santarém, as buscas foram concentradas no próprio LKP. Ao final do dia 7, um suposto avistamento foi marcado no mapa e o helicóptero H-1H do 1º/8º GAv enviado no dia seguinte, confirmando as 18:42h do dia 8 que os destroços pertenciam ao PP-EJB. No local, infelizmente, a brutalidade do acidente havia reduzido tudo a cinzas... e, apesar do relatório oficial ainda não ter sido divulgado, é coerente afirmar que o acidente em si foi fatal para as 4 vítimas a bordo.
Lições? Várias! A principal delas é a importância das informações que envolvem uma atividade de risco como a aviação. O Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico brasileiro é muito eficiente, atestado pela própria Organização de Aviação Civil Internacional! No entanto, para localizar quem desaparece é necessário que se tenha informações suficientes para que possa ser definido “onde procurar”... assim, se for voar, navegar, escalar, dirigir em estradas perigosas ou fazer qualquer outra atividade de risco, avise alguém de sua confiança, informe seu trajeto e garanta sua vida!


Nenhum comentário:
Postar um comentário