Boas-Vindas

O objetivo deste espaço é compartilhar experiências relacionadas ao tema "Busca e Salvamento" (SAR)! Os textos publicados são de responsabilidade exclusiva e pessoal de seus autores, sem vínculo com qualquer instituição.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY


Domingo, 20ago11, 13:42 h.
O SALVAERO Curitiba (RCC CW) recebeu a informação do APP-CR (Centro de Controle de Aproximação de Corumbá) que o PT-BGZ havia declarado emergência próximo ao Morro da Caieira. O RCC CW orientou o APP CR a acionar o Plano de Emergência e acionou o Corpo de Bombeiros da região.
Às 14:05 h, o RCC CW recebeu nova informação que a aeronave estava há 10’ do pouso em Corumbá-MS. De posse de uma localização estimada, o processo de designação do H-1H do 2º/10º GAv, Unidade SAR (SRU) mais próxima do local, foi imediatamente acionado.
Para surpresa de todos, às 15:10 h chega a notícia que o próprio piloto havia feito contato via celular com familiares, passando sua posição e solicitando resgate pois estava “bem de saúde mas ainda dentro da aeronave... na copa das árvores!” (foto abaixo)
PT-BGZ na copa das árvores. Foto: 2/10 GAv
Com um trajeto de 2h10’ de voo para percorrer, desde Campo Grande-MS até o local do sinistro, o sobrevivente foi resgatado às 19:07 h e conduzido ao aeroporto de Corumbá, onde foi liberado pela equipe médica.
Foto: 2/10 GAv
Toda esta história se passou em menos de 6h! Contando com a perícia do piloto, que informou na fonia o código internacional “MAYDAY, MADAY, MAYDAY” e conseguiu pousar na copa das árvores sobrevivendo ao impacto... e com a pronta-resposta do Esquadrão Pelicano, mais uma vida foi salva!
Parabéns a todos que contribuíram para o sucesso desta missão!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Operação SAR PP-EJB: desencontro de informações


Foto do local do acidente... atenção ao círculo amarelo!

Às 11:37h do dia de 3 de julho o RCC AZ (SALVAERO AMAZÔNICO) recebeu a informação, pelo APP-SN (órgão de controle de tráfego aéreo de Santarém) que a aeronave PA-34 PP-EJB havia decolado de Tiriós-PA, passado por Cuxaré e estava desaparecida... desde o dia 1º (= 48 horas!!!).
Apesar dos esforços para confirmar as informações com os demais órgãos de controle e empresa, não havia uma rota definida pela aeronave. Isso é possível? Infelizmente, sim. É comum em áreas mais afastadas que algumas regras sejam “esquecidas” e decolagens aconteçam para determinado destino mas com pontos intermediários. Conseqüências? Muitas! A pior delas, no caso de um acidente, é que não conseguimos determinar o que chamamos de “Área de Probabilidade Genérica” (APG), ou seja, que não conseguimos definir para onde enviar as aeronaves para realizar a Missão de Busca.
O atraso nas informações não impediu o acionamento dos meios disponíveis e o translado deles para próximo da suposta “Última Posição Conhecida” (LKP), que acabou sendo determinada pela re-visualização do radar de cobertura daquela área. Já no dia 4, o avião C-105 do 2º/10º GAv realizava voos de Busca, prejudicados pela meteorologia ao longo de todo o dia.



Os destinos do PP-EJB considerados eram a comunidade de Bona, Santarém e Óbidos e simplesmente ninguém conseguia confirmar a intenção do piloto... enquanto o relógio corria rápido e a meteorologia continuava a atrapalhar as buscas.
Com o auxílio de um especialista em radares, na noite do dia 6 conseguiu-se perceber que, milissegundos antes do desaparecimento da aeronave das telas, a mesma havia feito uma forte curva e perdido altitude.
Neste momento, apesar da afirmação da empresa de que a aeronave prosseguia para Santarém, as buscas foram concentradas no próprio LKP. Ao final do dia 7, um suposto avistamento foi marcado no mapa e o helicóptero H-1H do 1º/8º GAv enviado no dia seguinte, confirmando as 18:42h do dia 8 que os destroços pertenciam ao PP-EJB. No local, infelizmente, a brutalidade do acidente havia reduzido tudo a cinzas... e, apesar do relatório oficial ainda não ter sido divulgado, é coerente afirmar que o acidente em si foi fatal para as 4 vítimas a bordo.

Lições? Várias! A principal delas é a importância das informações que envolvem uma atividade de risco como a aviação. O Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico brasileiro é muito eficiente, atestado pela própria Organização de Aviação Civil Internacional! No entanto, para localizar quem desaparece é necessário que se tenha informações suficientes para que possa ser definido “onde procurar”... assim, se for voar, navegar, escalar, dirigir em estradas perigosas ou fazer qualquer outra atividade de risco, avise alguém de sua confiança, informe seu trajeto e garanta sua vida!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Expo Emergência & SARScene

Entre os dias 10 e 12 deste mês, na área da Expo Norte em São Paulo, foi realizada a 5ª Expo Emergência (www.protecaoeventos.com.br/eventos), o carro-chefe dos eventos destinados ao público que trabalha com emergências médicas, incluindo as questões de acidente de trabalho.
A organização incluiu uma enorme área de estandes de organizações e empresas, uma relação de palestras nacionais e internacionais simultâneas sobre temas diversos e a 1ª Olimpíada Nacional de APH (Atendimento Pré-Hospitalar).
No que diz respeito exclusivamente ao nosso SISSAR (Sistema SAR Aeronáutico), destacaram-se as ofertas de material de APH e de apoio, tais como macas, barracas de campanha, iluminação, sistemas de força, acessórios, etc. incluindo muitas novidades do mercado internacional. Grande parte das palestras foram focadas em acidentes no trabalho mas os painéis que debateram sobre a existência do SAMU e Bombeiros Civis, assim como a palestra sobre transporte aeromédico foram bem interessantes para quem esteve presente.
Sobre as competições, acredito que por ter sido a 1ª vez a idéia foi bastante interessante mas pouco divulgada... de qualquer forma, o primeiro passo foi dado e a tendência é que tenhamos provas melhor elaboradas e com uma participação maior nos próximos eventos.
Por falar nisso, são 3 eventos por ano, sempre sendo organizados nas áreas Sul, Sudeste e Nordeste. Informações sobre a programação de 2012 já se encontra no website da empresa, que também publica mensalmente a Revista Emergência.

Mas e o SARScene, o que é??? Simplesmente é a feira de igual formato que acontece no Canadá há quase 20 anos (www.nss.gc.ca/site/ss/index_e.asp). A diferença está no foco que é exclusivamente para o APH e voluntários SAR.
O Brasil esteve presente nas edições de 2008, como palestrante sobre o Sistema SAR nacional, e em 2010, como visitante. O “ganho” com esta participação é muito grande pois agrega valor profissional, além de propiciar uma boa visão dos parâmetros operacionais mantidos pelas equipes canadenses.

A realização de eventos desta natureza nos aponta a chamada “educação” como caminho único para a integração das equipes e evolução operacional. O que precisamos é conhecer mais estas oportunidades e as pessoas que trabalham ao nosso lado, cujo lema comum é “salvar vidas” independentemente da organização que representam ou da cor da roupa que vestem!

domingo, 7 de agosto de 2011

PT-IFS: desconhecimento e fofoca!



Muito bem! Já tinha decidido que não iria abordar a Operação SAR PT-IFS mas algumas matérias que foram publicadas e comentários maldosos que ouvi me obrigaram a rever esta posição... então, segue abaixo minhas impressões (completamente) pessoais!

Breve histórico do acidente
No dia 17 de maio o PT-IFS decolou as 20:51h com 04 pessoas a bordo para um treinamento em São José do Rio Preto e retorno a Piracicaba. Ao voltar, já próximo de seu destino, informou as 22:29h que estava visual com a cidade e prosseguia para pouso, sumindo do radar no instante seguinte... infelizmente, o pouso não ocorreu!
Para pousar de noite, antes de decolar o piloto chamou o responsável pelo acendimento do balizamento da pista e solicitou-lhe que ligasse o equipamento a partir das 22:00h. Como a aeronave não apareceu no horário, depois de passada mais de 1h do acordado, o responsável desligou o balizamento da pista e foi embora.
O desparecimento só foi notado na manhã seguinte e todos os recursos foram acionados. Estiveram engajados e coordenados pelo RCC Brasília 01 H-34, baseado no Rio de Janeiro-RJ, e 01 C-105 de Campo Grande-MS.
No processo de re-visualização das imagens captadas pelos radares momentos antes do desaparecimento, constatou-se que a aeronave havia realizado uma curva acentuada à direita e diminuído bruscamente de altura.
As buscas foram concentradas a partir desta última informação de posição e, as 13:03 a aeronave Águia da Polícia Militar. O local foi confirmado pelo C-105 e o H-34 conduziu resgateiros e militares do Corpo de Bombeiros até próximo da cena do sinistro, onde ficou constada a não existência de sobreviventes.

Perguntas e respostas
1) O responsável pelo acendimento do balizamento tinha responsabilidade formal de avisar alguém? Não. A norma vigente informa que a responsabilidade por informar o desparecimento de uma aeronave é de seu explorador. Como não havia ninguém mais no aeroporto, ninguém soube do desaparecimento até o dia seguinte.

2) Por que o ELT não funcionou? Por qualquer um dos motivos que o equipamento, muitas vezes, não funciona: quebra de antena, falha na emissão, falha na recepção, etc. Neste caso é importante ressaltar que o ELT estava em perfeito estado de manutenção e se encontrava registrado junto ao BRMCC. O fato de que o impacto ocorreu na encosta de uma cadeia montanhosa pode ter prejudicado a recepção do sinal pelos satélites, já que ele poderia estar “na sombra” da montanha.

3) O fato de a aeronave ter desaparecido do radar não seria suficiente para indicar que havia ocorrido um problema? Não. Toda vez que uma aeronave diminui sua altura, ela desaparece dos radares. Como ela estava se dirigindo para o pouso, o desaparecimento era esperado e foi considerado dentro da normalidade.

4) O que poderia ter sido feito para que o SAR fosse acionado mais cedo? Apenas o conhecimento e comprometimento de todos que estão envolvidos na atividade aérea podem fazer a diferença! Assim, eu pessoalmente acredito que se as pessoas que sabiam daquele voo tivessem um conhecimento maior dos riscos que o envolvem e da prontidão do Sistema SAR, alguém poderia ter colaborado para que a informação fluísse mais rapidamente.

5) Se o SAR fosse acionado logo após o desaparecimento haveria chances de sobrevida? Não. O local do acidente deixava bem evidente sua violência.

Bem, qualquer outro comentário questionando estrutura ou comprometimento de alguém é pura fofoca que, além de não contribuir para aumentar a segurança, ainda atrapalha o trabalho de pessoas sérias e comprometidas que estão engajadas há anos em um trabalho voluntário e apaixonado pela aviação!
Aos que trabalham por este ideal, o meu reconhecimento pessoal pela postura séria e profissional com que superaram mais este obstáculo!
Abraço a todos!